PRINCÍPIO DO PRAZER X PRINCÍPIO DA REALIDADE

Em 1911, o Dr. Sigmund Freud, escreveu um texto intitulado “Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental” que parece elucidar de maneira clara alguns aspectos importantes do desenvolvimento e funcionamento mental.

Ele inicia o texto dessa forma “… toda neurose tem como resultado e provavelmente, como propósito arrancar o paciente da vida real, aliená-lo da realidade”. Mais a frente escreve “os neuróticos afastam-se da realidade por achá-la insuportável – seja no todo ou em parte”.

O que torna um sintoma incompreensível não é exatamente a rejeição ou distorção clara e óbvia da realidade? 

A pessoa que sofre de anorexia, embora magra, não se enxerga assim; o deprimido, que embora com qualidades, se enxerga empobrecido; o fóbico, que embora sem nenhum risco aparente, enxerga enormes perigos, e por aí vai…

O princípio do prazer-desprazer tem como propósito dominante alcançar prazer e evitar qualquer evento que desperte desprazer.

O princípio da realidade tem como propósito obter prazer através da realidade, fazendo uma alteração real na mesma, para que enfim se possa obter prazer.

Enquanto o principio do prazer desconsidera a realidade e age de maneira impulsiva (um bom exemplo disto são as paixões), o principio da realidade leva em conta a mesma. 

No mesmo texto, Dr. Freud escreve que em função da realidade externa “a consciência aprendeu então a abranger qualidades sensórias, em acréscimo às qualidades de prazer e desprazer, que até então lhe haviam exclusivamente interessado”.

Em outras palavras, a realidade exige que o ser humano desenvolva a capacidade de tolerar a frustração de não satisfazer-se imediatamente através de ações impulsivas, o que implica em maior consciência.

Porém quando o indivíduo apresenta sintomas neuróticos, podemos observar que naquele aspecto o paciente afasta-se da realidade, pois a mesma entra em conflito com seus desejos, e desenvolve sintomas que na verdade são defesas contra este sofrimento, porém ineficazes para lidar com a realidade.

Os caminhos psíquicos que levam um indivíduo a desenvolver determinados sintomas e não outros são tortuosos e difíceis de serem mapeados. Na maioria das vezes o real conflito e o sofrimento estão muito escondidos, mas com certeza, eles estão lá… O papel da psicoterapia é identificar estes conflitos e ajudar o indivíduo a fortalecer-se para resolvê-los, pois somente um ego forte e bem desenvolvido pode tolerar frustrações.

                                                                                 

Maria Cristina Possatto

Psicóloga e Psicanalista



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